Interessante ver o cenário atual do samba de São Paulo. Pela terra da garoa o gênero vem concentrando muitas comunidades... é a onda do momento: Comunidade de Samba.
Comunidade no dicionário é vocábulo de muitos significados, um deles é "grupo de pessoas que comungam da mesma crença ou ideal", ou ainda "qualidade ou estado do que é comum: comunhão". A idéia quando trazida ao samba, perdeu um pouco do sentindo com o rumo que está tomando.
Alguns anos atrás, quando um grupo de pessoas funda o Mutirão do Samba, não imaginavam que seria o embrião deste forte movimento. Dali sairam ideais e idéias diferentes que disceminaram em comunidades e projetos também diferenciados. O Projeto Nosso Samba, que reparem, não leva o nome de comunidade, porém em seu ritual, age em comunhão e é local de pessoas que tem o mesmo ideal, mantém uma tradição de roda de samba muito diferenciada do que vemos por ai. A Roda respira e transmite respeito, os instrumentos, as pastoras, o repertório, dá ao projeto uma autenticidade e uma singularidade fantástica.
La para os lados da Zona Sul de São Paulo, está a mais conhecida comunidade de samba de São Paulo: o Samba da Vela. "Amadrinhados" pela controversa Beth Carvalho, a roda gira em torno de seus fundadores. A vela é acesa dentro de um patrimônio tombado da cidade, que é a Casa de Cultura de Santo Amaro. Casa de escravos, o local é cercado de magia, e ali o silêncio e a exaltação ao compositor ditam as regras da casa.
Com diretrizes completamente diferentes, esses dois grupos abriram portas e desencadearam o movimento de hoje. Surgem dezenas de projetos e comunidades que tem no discurso "carregar" a bandeira do samba. Além de ser um clichê, é inverossímil.
Os muitos movimentos que São Paulo tem espalhado principalmente pelas periferias da cidade, não carregam a bandeira do samba. Eles carregam os ideais, as alegrias, algumas vezes frustações e ainda pior, ambições daqueles que fundaram. O samba é figura principal nesse contexto, mas também nem sempre é feito com características que indiquem ser ali, um reduto de samba autêntico (que me perdoe o trocadilho, que me faz lembrar de um movimento pífio, de um fundador hipócrita). A comunidade de samba, tem um cunho social mais forte do que propriamente o clichê que comentei.
São fomentadoras de espaço, e dentro desta concepção surge o samba daquela gente. O modo das rodas, o batuque, de receber as pessoas, os rituais, são caracteristicas únicas que vão agradar e desagradar.
Não carregam a bandeira do samba. Isso hoje em dia, não existe. Eles carregam sim, seus costumes e seu modo de fazer samba, junto à sua gente. A importância que se dá ao samba como gênero musical, de história sofrida, negra, de um passado marcado, de um ritmo brasileiro, de sonoridade singular, de instrumentos, é a partir da escolha de cada comunidade ou projeto. Se o samba fosse único, e se o que ouvíssemos por ai fosse igualmente único, poderíamos dar a bandeira do samba às comunidades. Mas será que existe bandeira?
Fico com receio quando vejo que ter uma comunidade ou projeto é status. Dá ao seu fundador um poder que usado de maneira errada, pode sugerir um sentido errado a todo esse movimento. A comunidade de samba é sim produto comunitário seja ele de dois ou mais individuos, e utiliza o samba como forma de agregar e fomentar espaços. Fazer com que isso seja diferente, evoca uma erronea idéia massificadora.
Enquanto o samba for benéficie dos tantos projetos e comunidades, estaremos a salvo. Mas quando os caminhos não forem esse, ou influências contrárias, midiáticas, ideais corrompidos, o cenário é mais uma vez desolador, para o já tão danificado samba de São Paulo.
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2 comentários:
Concordo contigo em gênero, numero e grau, perfeita sua explanação a respeito do samba. Em muitos, devo revelar que em minhas andança, embora eu seja uma pessoa jovem – rsrsr, tenho observado que muitas pessoas “no” samba, não são do samba, não vivenciam o samba. Muitas delas, tem outras ocupações, que estão aquém do samba e muito aquém da musica. Outro pensam, e esquecem que samba é, primeiramente música, fazendo do gênero uma equivocada nomenclatura, como você mesma diz: “Pífio”. Enfim... é triste, mas a bandeira, não há. Existem os holofotes da vaidade em todos os lados.
Falar de samba é muito fácil, quero ver, sobreviver do samba, sustentar os filhos com o samba, trabalhas o samba, viver, conviver, conjugar o verbo sambar no dia-dia. Acredito na bandeira desses que fazem do samba o seu brasão, o seu único meio de vida.
Nós que vivemos do samba, temos que rebolar no bom sentido da palavra para sobreviver neste cruel mercado fonográfico, comercial, globalizado. Alem do que o samba por si só, sofre as transformações, o carnaval, sofre transformações. A língua portuguesa sofreu transformações, imagine você!
É Obvio que a maioria daqueles que estão de pára-quedas, sumirão do cenário, pois não agüentariam viver “entre cacos e cavacos, mal curtido pelo cheiro dos suvacos...” (Wilson Moreira). Porém, outros virão para segurar o pavilhão, e para atrapalha-lo também, isso é absolutamente normal
Quando penso que conversando com o Paquera em 2000, a respeito da “comunidade” do IG que estava surgindo, a gente resolveu inserir essa nomenclatura em nossa roda de samba. O negocio virou um peste só, acho que criamos um mostro, pois as pessoas que vieram na seqüência nada entenderam.
O Samba da vela por seus fundadores respira música, sonhamos musica, fazemos música. A obrigação do soldado que está na linha de frente do Samba da Vela é fazer musica, agora, o gênero preferido de cada um, bem, que cada um escolha o seu, já que a música é que realmente nos escolhe.
Então, são essas pequenas coisas que me entristece, essa incompreensão, essa falta de noção sobre as minúcias do samba, do melindre do samba, da malandragem que há, Bantu, Jêje, Nagô, Congo-Angola, entre tantas outras. Coisas que vem no inconsciente coletivo na diáspora de um povo. Infelizmente samba não é para qualquer pessoa, assim como o Candomblé. Códigos, sinais, gírias, vivência, que por muitas vezes, vão muito alem da escrita.
Dificilmente eu escrevo em blogs, ou em discussões a respeito de samba, pois isso sempre dá confusão, afinal, todos entendem de samba, assim como todos entendem de política, religião e futebol, então porque discutir. Passei simplesmente para lhe prestigiar, pois achei muito legal seu espaço, seu talento para escrever com clareza e franqueza, que seu sitio seja sempre acompanhado por inúmeras visitas, parabéns!!!
São Paulo, 20 de Maio de 2009.
Magnu Sousá
ÉÉÉÉÉÉ...LÁ PELOS IDOS DE 1984,ALI NO JD. BRASÍLIA,EXISTIA UM POVO QUE FAZIA SAMBA,QUE VIVIA EM COMUNHÃO,QUE CHORAVA,QUE CANTAVA,QUE CANTAVA,BATUCAVA,QUE SORRIA.NEM TINHAM NOÇÃO DO QUE FAZIAM,APENAS FAZIAM.
CONFESSO QUE TENHO SAUDADE DE QUANDO EU IA ME JUNTAR AOS "NEGO VÉIOS" DO MEU BAIRRO,ALI NA PRAÇA:WALDEMAR BASSI,ONDE SAIA O TIME DO ALVI NEGRO COMANDADO PELO NEGO CIÇO E PELO CEPACOL,SEM CONTAR COM A BATERIA DO TIME QUE IA,PELO MENOS COM 20 BATUQUEIROS.
AS RODAS DE SAMBA NA CASA DE DONA CHIQUITA,DONA IRACY,DONA DURVALINA.E A RAPAZIADA IA ME ENSINANDO UM SAMBA AQUI,OUTRO ALI,DO TIPO,NARAINÃ(CAMISA),"OLHA O TOMBO É SAMBA DE CONGO TEM DENDÊ"(NENÊ)...COMUNIDADE??????
SEI LÁ,SÓ SEI QUE ERA MINHA ESCOLA,ESCOLA ESSA,QUE AINDA NÃO ME FORMEI.
AINDA ME LEMBRO DA DONA RENÍ FAZENDO AS FESTAS DE COSME E DAMIÃO,ERA UMA FILA DE MOLEQUES QUE DOBRAVA A RUA,AI DONA RENÍ DAVA PRESENTES E DOCES PRA TODO MUNDO...COMUNIDADE??????????
SEI LÁ,SÓ SEI QUE ALÍ ERA MINHA GENTE.
E OS TIMES DO MEU BAIRRO,O GRÊMIO SE ALGUÉM ESTIVESSE PASSANDO POR UM APERTO,LA SE JUNTAVA TODO MUNDO E O PROBLEMA ACABAVA...- MANO TRÁS UM AÇUCAR DOMINGO? ARROZ,FEIJÃO,ÓLEO...-E SAL? SAL NÃO PORRA!!!!COMUNIDADE??????
SEI LÁ,SÓ SEI QUE ERA MEU POVO.
SERÁ QUE AS "COMUNIDADES" SABEM O VALOR DO NOME QUE CARREGAM?
SERÁ QUE COLOCAR O SAMBA À FRENTE,E DE UMA MANEIRA MEDÍOCRE,DE UMA AÇÃO FALSA É DEFENDER UMA BANDEIRA?
SERÁ QUE O SAMBA É USADO PRA ELEVAR O EGOCÊNTRISTA?
SERÁ QUE FAZEM DO SAMBA O "BODE ESPIATÓRIO"...BÉÉÉÉÉ?
É MEUS IRMÃOS,AS VEZES USAM O SAMBA PRA CADA COISA...AHHHH,E A 6 ANOS QUANDO EU DISSE QUE ISSO IA VIRAR MODA,FOI SEM QUERER VIU,AFINAL EU NÃO SOU ADEPTO DE NENHUMA CEITA DE VIDENTES...KKKKKK...MAS TEM COISAS QUE ATÉ VIDENTES DESCONHECEM!!!!!!!
PARABÉNS AMIGA PELO BLOG,E SAIBA QUE EU NÃO COSTUMO ESCREVER EM BLOGS,MAS ACHO QUE VOU GOSTAR DISSO!!!
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