quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Carnaval como Mercadoria: A cultura em xeque!

Chegando ao final de 2008, percebi que faltou comentários a respeito do meu TCC.

Foram mais de seis meses de entrevistas, correrias, dinheiro gasto, quebra paus, ouvindo meu orientador falar abobrinha, e vendo que tudo isso no final valeu a pena.

O Radiodocumentario de 5 capítulos ficou muito bom! Não como imaginei, a narração não me agrada e o último capítulo, que foi imposição do meu orientador, foi um desfecho que eu gostaria que tivesse sido diferente!

Falar sobre o carnaval de São Paulo, e principalmente a respeito da mercantilização de tal produção cultural artística, me fez atentar que não existe arquivos decentes a respeito do samba de São Paulo. Com pouca informação arquivada, o carnaval de São Paulo está guardado na cabeça daqueles que ainda vivos, relembram em mesas de bar o que aconteceu quando nem o Anhembi e muito menos a Globo pensava em invadir a paulicéia do samba.

Fruto maior de todo esse trabalho foi com certeza os amigos que fiz.
Todos aqueles que participaram diretamente, sendo parte ativa da história contada, hoje são amigos. Relembro aqui em primeiro a Velha Guarda Musical do Camisa Verde e Branco, que até hoje me recebe no "escritório" com um sorriso largo e almejando que eu volte sempre. E a escola da Barra Funda, ainda me deu outro amigo, um maloqueiro da ala de compositores do Camisa, o campeão do samba deste ano, Xande! E eles trouxeram mais pessoas que vim a conhecer depois, e disso tudo ficou a vontade de escrever sobre a mais antiga escola de samba de São Paulo, o Camisa, que desde seu tempo de cordão iniciado em 1914 com Dionisio Barbosa, é fonte essencial quando o assunto é carnaval de São Paulo.

Conheci garotos como o Praxedes, presidente do Quilombo, que também me possibilitou conhecer tantos outros. Abriu a porta de sua festa, deixou que eu trabalhasse naquele dia caloroso de outubro, e até hoje tenho o prazer de ver o trabalho desse moço!

Um grande amigo que esse trabalho me deu está escondido la perto da Av. Imirim. Júnio do Peruche, que de fonte, passou a amigo confidente, e que com ele vieram tantas novidades boas, sambistas esquecidos pela midia, pelo samba, pela gente hipócrita do samba...

O Prazer de ter Osvaldo Barros como amigo. Osvaldinho da Cuíca, me proporcionou conhece - lo durante 8 horas em sua residência, e ali foi feito um laço que dura. O homem que transformou o Vai-Vai de cordão em escola de samba, é parte fundamental da história do samba de São Paulo e de seu Carnaval.

E foram tantos outros... tanta gente que eu tenho o prazer de conviver hoje. Que me pode fazer uma pessoa um pouco melhor informada a respeito dessa paixão que é o samba de São Paulo.

Logo colocarei meu TCC em capítulos aqui, mas antes de falar tecnicamente a respeito dele, precisei mencionar o lado humano e gratificante que foi a realização.

O mundo das escolas de samba está cheio de gente de bem. Gente que acredita na escola como um instituição não falida, que pode ser cultivada, que ainda pode alimentar seu passado, glorificando-o. A escola de samba de São Paulo pode ser muito mais do que vemos na TV... Ela é formada por alguns homens e mulheres, que dão a vida, a alma e as vezes a dignidade à ela... Só que estas pessoas não estão nos livros... elas estão por ai, brigando pela causa, correndo atrás do prejuizo... basta levantar da cadeira!

Deise...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O samba em comunidade...

Interessante ver o cenário atual do samba de São Paulo. Pela terra da garoa o gênero vem concentrando muitas comunidades... é a onda do momento: Comunidade de Samba.

Comunidade no dicionário é vocábulo de muitos significados, um deles é "grupo de pessoas que comungam da mesma crença ou ideal", ou ainda "qualidade ou estado do que é comum: comunhão". A idéia quando trazida ao samba, perdeu um pouco do sentindo com o rumo que está tomando.

Alguns anos atrás, quando um grupo de pessoas funda o Mutirão do Samba, não imaginavam que seria o embrião deste forte movimento. Dali sairam ideais e idéias diferentes que disceminaram em comunidades e projetos também diferenciados. O Projeto Nosso Samba, que reparem, não leva o nome de comunidade, porém em seu ritual, age em comunhão e é local de pessoas que tem o mesmo ideal, mantém uma tradição de roda de samba muito diferenciada do que vemos por ai. A Roda respira e transmite respeito, os instrumentos, as pastoras, o repertório, dá ao projeto uma autenticidade e uma singularidade fantástica.

La para os lados da Zona Sul de São Paulo, está a mais conhecida comunidade de samba de São Paulo: o Samba da Vela. "Amadrinhados" pela controversa Beth Carvalho, a roda gira em torno de seus fundadores. A vela é acesa dentro de um patrimônio tombado da cidade, que é a Casa de Cultura de Santo Amaro. Casa de escravos, o local é cercado de magia, e ali o silêncio e a exaltação ao compositor ditam as regras da casa.

Com diretrizes completamente diferentes, esses dois grupos abriram portas e desencadearam o movimento de hoje. Surgem dezenas de projetos e comunidades que tem no discurso "carregar" a bandeira do samba. Além de ser um clichê, é inverossímil.
Os muitos movimentos que São Paulo tem espalhado principalmente pelas periferias da cidade, não carregam a bandeira do samba. Eles carregam os ideais, as alegrias, algumas vezes frustações e ainda pior, ambições daqueles que fundaram. O samba é figura principal nesse contexto, mas também nem sempre é feito com características que indiquem ser ali, um reduto de samba autêntico (que me perdoe o trocadilho, que me faz lembrar de um movimento pífio, de um fundador hipócrita). A comunidade de samba, tem um cunho social mais forte do que propriamente o clichê que comentei.

São fomentadoras de espaço, e dentro desta concepção surge o samba daquela gente. O modo das rodas, o batuque, de receber as pessoas, os rituais, são caracteristicas únicas que vão agradar e desagradar.

Não carregam a bandeira do samba. Isso hoje em dia, não existe. Eles carregam sim, seus costumes e seu modo de fazer samba, junto à sua gente. A importância que se dá ao samba como gênero musical, de história sofrida, negra, de um passado marcado, de um ritmo brasileiro, de sonoridade singular, de instrumentos, é a partir da escolha de cada comunidade ou projeto. Se o samba fosse único, e se o que ouvíssemos por ai fosse igualmente único, poderíamos dar a bandeira do samba às comunidades. Mas será que existe bandeira?

Fico com receio quando vejo que ter uma comunidade ou projeto é status. Dá ao seu fundador um poder que usado de maneira errada, pode sugerir um sentido errado a todo esse movimento. A comunidade de samba é sim produto comunitário seja ele de dois ou mais individuos, e utiliza o samba como forma de agregar e fomentar espaços. Fazer com que isso seja diferente, evoca uma erronea idéia massificadora.

Enquanto o samba for benéficie dos tantos projetos e comunidades, estaremos a salvo. Mas quando os caminhos não forem esse, ou influências contrárias, midiáticas, ideais corrompidos, o cenário é mais uma vez desolador, para o já tão danificado samba de São Paulo.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Mais um carnaval...

Avaliação pessoal do carnaval em SP

O primeiro: Gaviões da Fiel, veio provavelmente pra ficar no grupo especial, alguns erros em harmonia e evolução (impressionante a capacidade da harmonia da gaviões de errar!), bateria acelerada, mas vai ficar! Tucuruvi e Tom Maior, sem dinheiro e com barracões precários,deixaram seu recado na avenida, mas longe de qqer titulo! As tradicionais Nenê de Vila Matilde e Rosas de Ouro, apresentaram um carnaval luxuoso, sem grandes problemas, estão no páreo.O Rosas com a comissão de frente teatral, e um belo abre alas, acertou. A Nenê acendeu o Anhembi de manhã, e cantou seu samba da cabo a rabo. A Águia levantou o sambódromo com a bateria, que fez evoluções mto bem executadas, porém pode perder pontos em alegoria, harmonia e evolução, por conta de um carro com pneu furado. O carnaval da Vila Maria foi luxuoso, glamuroso, técnico, e com um samba de melodia simplérrima, mas que acertou na avenida!

O segundo dia, um dos destaques foi o retorno da Camisa Verde e Branco, que sem muita grana, colocou um carnaval simples e bonito na avenida, evolução nota 10, a escola cantou do começo ao fim o fraco samba campeão, porém se perdeu no retorno da bateria na avenida e pode perder pontos em harmonia! Foi lindo ver seu Dadinho desfilando! Com sambas fracos Mancha e X9, fizeram um trabalho técnico e frio! (não se podia esperar nada diferente/ ps. o que foi a horrorosa bateria da Mancha?). A pérola Negra tentou uma alavancada no luxo, mas se perdeu na avenida. O destaque fica com as três últimas escolas. O Vai-Vai, em uma apresentação luxuosa e grandiosa, levantou o Anhembi,fez um desfile cantado do começo ao fim, sem problemas na passagem, a escola é uma das favoritas ao título, fica apenas a tristeza pela palhaçada na escolha do samba, mas a bela vista brilhou na avenida! Mocidade e a imponente Império, vieram pras cabeças! A Mocidade em um desfile bom, sem o brilho de Daniel colete, mas com um show de sua bateria na avenida! A império grandiosa e com um desfile tecnico e também frio.

Meu resumo do carnaval de SP

Fica o protesto a péssima cobertura da Rede Globo! É impressionante a falta de respeito que essa porra de emissora tem com o carnaval de SP. Transmitir daquele jeito é melhor não fazer! Colocar a Dona Leci, pra falar abobrinhas e o idiota do Mauricio Kubrusly, para fazer comentário infames, poderiam me convocar que eu recebia metade do que eles receberam! Revoltante! Esquenta de bateria e a chamada, foi luxo de poucas escolas! Ah melhor ainda é esperar a porcaria do BBB acabar!

TIREM A EXCLUSIVIDADE DA GLOBOOOOOOOOOOOO!

Abraços!