sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Quem não deixa o samba sambar

Em 1995 a Unidos do Peruche entrava na avenida com esse enredo... Um chute pra quem acha que carnaval é aquilo que acontece no Anhembi...

http://www.spcarnaval.com.br/audio.php?escola=3&grupo=0&ano=1995

O audio disponibilizado pelo site spcarnaval é uma boa pedida!

Afinal..."Se o samba pé no chão é o que nos resta/ Escuta o meu grito de alerta".


Faltando pouco para o final do documentário "O carnaval como mercadoria: A cultura em xeque".


Falado

domingo, 30 de setembro de 2007

E que venha Quilombo...



Nas cores o verde e branco, São Paulo pode começar a ver ressurgir a escola de samba em sua essência...


Produto do espetáculo televisivo, empresa de traficantes, bicheiros e filhos da puta, hoje escola de samba é SA. O tempo fez muito mal às quadras. Antigamente cordões de negros, que colocados à margem da sociedade paulistana fizeram seu modo de fazer carnaval, baseado na cultura vindoura das senzalas, as escolas de samba perderam o rumo. Tudo é plastico, desde a apresentação no Anhembi, que mais lembra a boiada confinada no curral para passar pela contagem e depois são jogados dentro dos ônibus já estrategicamente enfileirados, passando pelas escolhas de rainha de bateria, uma mulher conhecida, sem graça, sem samba no pé, sem vinculo nenhum com a comunidade, pela escolha do samba enredo, geralmente jogo de cartas marcadas, pelo batuqueiros, por postos como o de mestre de bateria, diretor de harmonia, diretor de mais não sei quantas coisas e chegando na presidência...


Nesse cenário tem gente querendo mudar o rumo das coisas. O ano de 2007 pode ser um recomeço...


Criado no samba desde de pequeno, mestre de bateria precoce, a cabeça na tradição, a critica no discurso e a coragem de fazer diferente Thiago Praxedes, se juntou a mais um pessoal e resolveu fundar uma escola em meio a toda essa maré de falta de respeito com a cultura e a tradição de uma escola. O Grêmio Recreativo Escola de Samba Quilombo nasce em 07 de julho deste ano e traz na lembrança para muitos que gostam de samba a imagem de Candeia que em 1975 funda o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, e dizia: "Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo."


A luta de Candeia na época pode ser remontada agora. Espero eu que os ideias não se percam com o tempo, sou como alguns poucos, alguem que busca a afirmação cultural do negro dentro de sua criação: a escola de samba. É importante que a vinda de um novo Quilombo, seja vista com esperança para aqueles que acreditam na força da comunidade, do povo negro, do samba e por fim na força da escola de samba nesse contexto!


Que Thiago tenha a serenidade de fazer o que Candeia um dia tentou...



Axé para todos...


quarta-feira, 15 de agosto de 2007

ESPECIAL

Hoje o texto não será meu. Conheci um cara esses dias de 23 anos e muita história pra contar. Thiago Praxedes... ou mestre Thiago com é conhecido! O mestre mais jovem a estar a frente de uma bateria, saiu da sua escola de coração Barroca da Zona Sul e fundou Quilombo... Ele conta a história da fundação do Barroca com ilustres nomes presentes... Hoje o texto é dele!


Salve o samba paulista... e quem conta um pouco dessa história é o jovem thiago... (Obrigada pelo texto!)



"DIA 09 DE ABRIL DE 1977


Dizem os antigos que no samba de São Paulo não houve batismo igual ...Depois de conquistar o III Grupo em 75, o II Grupo em 76 e ficar entre as 7 primeiras do I Grupo, a Barroca Zona Sul dava um grande salto para ser uma escola de samba potência do fim dos anos70. Campo do Brahma já não comportava os ensaios ... depois o cimentado acima do nível do campo da Portuguesinha de Vila Mariana .. mas faltava um terreiro de ensaios para uma escola tão jovem e conceituada. Naquele grande momento faltavam apenas duas coisas para a escola bater a tarimba entre as grandes: Batismo e Quadra ...E lá foi então o velho Pé Rachado como fazia todos os anos pós o carnaval para o Rio de Janeiro ... “Ele vestiu o sobretudo branco e disse a Mangueira vem aí, ninguém entendeu nada (risos)” relatou Bira, um dos filhos de Pé Rachado e um dos fundadores da escola.Em 77 a Barroca em seu primeiro ano ficou entre as 7 primeiras desbancando escolas tradicionais na época como o Peruche, Tatuapé e Morro da Casa Verde ... mas o resultado não foi o que Pé Rachado esperava ... por fim lá estava seu sonho de pé ...Em Mangueira, Pé Rachado tinha sua parada obrigatória ... “O Para quem Pode” ... era um buteco no morro do buraco quente e ali só freqüentavam os nego veio da Mangueira e as cabrochas mais conceituadas. Por ali já encontrava seus grandes amigos – Tio Jair, Babau, Mestre Valdomiro e seu grande amigo de “construção”, Cartola ... isso mesmo, o próprio Cartola que Pé Rachado conheceu trabalhando em obras pelo Rio de Janeiro, que virou ícone da MPB e o incentivou a fazer sua própria escola quando deixou a presidência da Vai-Vai.Então era hora de Cartola cumprir o prometido: “Funda sua escola que Eu e a Zica vamos fazer questão de ser os padrinhos”. Estava marcado então ... o presidente Bira Maximiniano quando viu o oficio riu da cara de Pé Rachado: “Orra Pé nem precisa de papel”.Essa época, estava começando a ser construída a quadra da Mangueira, claro que não com a mesma grandeza dos dias de hoje, mas em acervo familiar de Pé Rachado uma foto traduz todo laço de amizade fraternal que existia ... nessa foto Pé segura uma pá com cimento e alguns figurantes da Mangueira com tijolo na mão. De volta a São Paulo os preparativos estavam 100 por hora ... o terreno na Paulo Figueiredo (Hoje de frente ao metro Imigrantes) já estava sendo preparado. Pé Rachado e muitos barroquenses trabalharam dia e noite para erguer a quadra de ensaios ... mas por fim ... Domingo 11 da manhã chegou o ônibus da Estação Primeira de Mangueira ... a bateria, os puxadores, mestre sala e porta bandeira, baianas, a velha guarda ... Cartola, Dona Zica, Dona Neuma, Babau, Tio Jair entre muitos outros ...O ponto de partida foi um futsal entre Barroca e Mangueira ... o resultado da partida nós não temos hehehA tarde almoço e muito samba que rolou até a meia noite ... todo mundo foi descansar após o samba. O antigo Colégio Adjetivo de propriedade do vice-presidente da época Osmar César de Carvalho abrigou os mangueirenses ... chegou a noite ...A quadra estava pronta ... chão de mármore, palanque de bateria, camarotes e tudo mais ...O momento tão esperado com certeza foi o encontro das baterias e das bandeiras:Mestre Binha de um lado ... e Mestre Taranta do outro já que o velho Valdomiro estava em cima do palco. De um lado Wilson de Morais e Marina do outro Mocinha e Roxinho ... Delegado estava presente, mas pelo Camisa Verde e Branco.Baianas das duas escolas espalhavam todo axé em verde e rosa a comunidade do samba que permaneceu em massa. Aí veio o momento mais marcante:Pé Rachado oferece o pavilhão a Cartola quando lhe é passado o microfone e ele diz: “Eu beijo essa bandeira como se beijasse o rosto de minha mãe” (Folha da Tarde 11/04/77) ...Eis ai a Barroca Zona Sul deixava de ser uma escola pagã e por fim era batizada pela Estação Primeira de Mangueira e por seu padrinho Cartola e Dona Zica também.Foi oferecido por Pé Rachado lembranças aos convidados (esta que se encontra no livro de Dona Maria Aparecida Urbano) e placas aos sambistas da Mangueira e em especial ao padrinho Cartola.Nesse dia também marcou a passagem de pavilhão de Wilson de Morais e Marina para o casal cria de Pé Rachado – Ednei (consagrado mestre sala inclusive fundador da Amespbesp) e da falecida Elizabeth Roque (à quem carinhosamente Pé chamava de “neguinha sem cabelo”). Ednei depois ficara com Beth ate o carnaval de 1983 ... Beth ficaria com o primeiro pavilhão até 1989 sendo a maior porta bandeira da história da escola.A Mangueira agraciou à Pé Rachado com honras de sócio honorário, uma bandeira e outros apetrechos ... Babau trouxe a imagem de São Sebastião (Oxossi) para abençoar a escola.Grande Pé Rachado ... foi em sua casa que depois Cartola e Dona Zica se hospedavam quando montaram o Zi Cartola aqui em São Paulo na Vila Formosa (que não deu certo é verdade) – era em parceria de Cartola que Pé Rachado subiu e desceu tantas vezes o Morro da Mangueira ... Uma história que o tempo poderá não se lembrar ... mas jamais se apagará ... com certeza daria um grande enredo como foi “Tengo Tengo” ... não foi para a avenida mas foi em noite linda, em noite bela


AXÉ

Mestre Thiago"


Aprender sobre samba é conhecer pessoas esquecidas pela midia!


Abraços....

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

...

Mundando um pouco de assunto queria hoje escrever sobre amizade... não sei pqe hoje...

Engraçado que todo mundo sabe mas custa a acreditar... são tão poucas as pessoas que ficam e dezenas que durante a vida tu vai dizer que ama... e mto... e achar que é pra sempre. Mas são poucas que ficam...

Tenho alguns... selecionados... uns mais antigos, outros mais recentes, algumas surpresas agradáveis, outras nem tanto, algumas que confundem, outras que quando terminam acabam com vc.

Errei mto qdo mais nova, mas muito, também como diria meu pai todo mundo tem sua época de ser babaca... eu fui. Hoje faço uma avaliação boa dos erros cometidos, melhor errar com 15 do que com 23! Hoje com 23 tenho sim os amigos certos, pra agora neh?! vai saber! não gosto de prever futuro, aquele tipo "pra sempre". O pra sempre é o momento!

Os especiais são sempre especiais... Cris, Du, Japa, Tia, Edu, Danilo, Camila... tem gente ficando especial... Ba, Ana, Pati,cida,caio, nat, bi, o pessoal do samba por ai... tem gente que sempre será especial: zé, gabi, yannick, pri, jana, joão, roberto, luis, jeff, d2... e tem gente que ja nasceu especial... family!

Ah fora um montoado de gente que tem um lugar sim na minha história... ju, paty, su, nani, lê, rafa, celso, gian, marcia, doni, marcão, elisa, domi, ke, fernandinha,monica, vitor, nilo, ARTHUR, alan, di, anderson, vi, rô, vitolo, sorriso, camila, jandira, brasil, renata, ti, marcela, mauricio, marcus, paulo, paty ... e um monteeeeeeeeee de outras pessoas!

O bom é tê - los... sozinho ninguem chega a lugar nenhum

Devo ter esquecido algumas pessoas... impossivel lembrar de todos que ja me fizeram de alguma maneira feliz... Aos esquecidos fica o meu pesar!

Amigos...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Geraldo...


Pesquisando, me apaixonei por Geraldo Filme.


Um homem que amava a ruralidade do samba paulista... e que me fez também ama - la.


Nosso samba é singular, urbano e culturalmente rural... de um povo marginalizado, oprimido, mas de um batuque puro, no terreiro, protegido pelos guias...


Geraldo tem essa pérola...

Eu era menino

Mamãe disse: vamos embora

Você vai ser batizado

No samba de Pirapora

Mamãe fez uma promessa

Para me vestir de anjo

Me vestiu de azul-celeste

Na cabeça um arranjo

Ouviu-se a voz do festeiro

No meio da multidão

Menino preto não sai

Aqui nessa procissão

Mamãe, mulher decidida

Ao santo pediu pediu perdão

Jogou minha asa fora

Me levou pro barracão

Lá no barraco

Tudo era alegria

Nego batia na zabumba

E o boi gemia

Iniciado o neguinho

Num batuque de terreiro

Samba de Piracicaba

Tietê e campineiro

Os bambas da Paulicéia

Não consigo esquecer

Fredericão na zabumba

Fazia a terra tremer

Cresci na roda de bamba

No meio da alegria

Eunice puxava o ponto

Dona Olímpia respondia

Sinhá caía na roda

Gastando a sua sandália

E a poeira levantava

Com o vento das sete saias

Lá no terreiro

Tudo era alegria

Nego batia na zabumba

E o boi gemia

Lá no terreiro

Tudo era alegria

Nego batia na zabumba

E o boi gemia.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Primeiro veio o começo


Apenas a primeira de algumas que farei... já que óbvio vou desanimar... aliás como muita coisa que faço...

Se primeiro veio o começo, inicio aqui minha caminhada atrelada ao meu tcc... Discutir o porque a escola de samba afastou os negros dos centros de decisões... tornando - se um produto comercial de vendagem significativa... pergunto eu onde foi parar a cultura das senzalas, do batuque...


Grande Candeia dizia assim: “Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo”... Se vivo estivesse, esse nobre sambista saberia que agora não apenas submetido, ele (o samba) esta quase a falecer...




Continuo com a prosa um outro dia...